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CARETASSO




Hoje quem escreverá é o nosso pai.Menos por falta de criatividade e mais por obediência filial, concordamos.“Por quê? Porque sou seu pai, ora!” _ foi o argumento dele.Fazer o quê, passamos o teclado.Se lhe convier, senta que lá vem estória.


Eram os idos de 1933 e eu então com 20 e poucos anos, como todos na época, amava os Beatles e os Rolling Stones.Paixão passageira, tão logo abandonei os meninos de Liverpool e passei a me dedicar à gente da minha terra.

Estava filosofando sobre a vida, já que até o “João Valentão” da música tem dias assim, quando chegou de relance na minha mente o nascimento de três garotinhas.Cada qual a seu tempo, cada uma com seu jeito e seu destino.Com suas manias e supertições.Sorrisos e trejeitos.Mas que se completam e que por isso tomaram forma de irmãs.

Na frente a vastidão da areia, uma brancura sem fim.Ao longe o mar que arrebentava no cais da Bahia de Todos os Santos.Pela porta viam as luzes dos navios que entravam e saiam.Pelo teto viam o céu de estrelas, a lua que as iluminava.

É aqui que moram Gabriela, a mulata cor de cravo e cheiro de canela; Tieta, a pastora de cabras; e Flor (Dona Flor para os estranhos) que grande desgosto me trará com os seus dois maridos.Bobagem, de onde estou percebo que ela não é má menina.Só não conheceu (assim como as outras) limites para o seu prazer!No fundo foi culpa minha...Tolice!É sempre assim, os pais nunca sabem nada, e quando sabem não compreendem; estão perto e longe demais para entender.Mas não irei me queixar.

É certo que às vezes me fazem perder a cabeça: mentiras pueris, atitudes impensadas, verdades confusas...Mas realmente não me queixo.Garotas atrevidas, impulsivas e por vezes teimosas, assim são minhas filhas.

Participei de todos os momentos. Brinquei de roda, pega-pega, boneca, peão... Vi Gabriela e Flor deixarem o vestido de chita e vestirem vestido encantado, vestir poesia inocente.Acompanhei, ainda que de longe, aquele instante que o destino transformou cada uma de minhas filhas de flor-menina a flor-mulher.

Sei que não foram “santas”.De fato Tieta exagerou ao se aproximar de seu sobrinho.Gabriela, já que amava Nacib a este deveria ser fiel.E Flor...Mas como pai o que me interessa é que são felizes!De um jeito meio enviesado, às avessas, excêntrico, mas felizes.E que eu, apesar da minha condição paterna, até hoje não entendo.Cometo um erro fatal: nem as decifro, tão pouco as devoro.As amo.


                                De quem mais as ama neste e noutros mundo

                                                    Jorge Amado.

Ps:Fora do ar temporariamente......Como se não desse pra perceber!



Escrito por Gabriela, Dona Flor e Tietinha às 20h43
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